Feeds:
Posts
Comentários

Archive for setembro \13\UTC 2010

Local da saudosa Festa de Yemanjá, o Red River guarda mais segredos, e botequinhos, do que podemos imaginar / Foto: Tiago Munch

Sábado a noite tudo pode mudar. Isso, Coisinha, começa logo com uma música ruim ou um clichê – ou, no caso, os dois juntos – para espantar metade dos possíveis leitores – que fiquem apenas os bons ou, no caso, os pacientes.

Mas, clichê, música ruim ou ditado popular, fato que esta bendita frase é verdade.

No último dia 11 de setembro foi aniversário de um grande amigo e data do espetaculoso atentado as Torres Gêmeas norte americanas. É, uma mistureba de acontecimentos tão grande que resultou até em Michelle Obama fezendo um minuto de silêncio em homenagem ao meu amigo – só para contextualizar.

Naquela noite, lá fui eu e mais uma amiga, levando cada uma um pote de musse de morango com uma estrelinha de São João para cantarmos o parabéns, rumo ao bairro queridinho de todos: o Red River – para os íntimos.

Desaguamos na cachaçaria Água Doce – ponto inicial do que seria a nossa rápida e estranha turnê pela noite do Rio Vermelho. De fusão de mega empresas e dumping na bolsa de ações até os estranhos nomes de esmaltes Deixa Beijar e Rebu, tome-lhe assunto.

Conversa vai, conversa vem. Cachaça vai, cachaça vem.  Enfim, chegou a hora de encerramos a boa prosa e i irmos para casa.

Ou melhor, irmos para o meio do caminho de casa.

     – E aí, é pra casa mesmo?! – Perguntou para nós o carro.

     – Bem, eu tô de boa. A gente podia só ver o movimento, né?! Do carro mesmo. São 1h da manhã, tá cedo. – Respondemos.
       (Lê-se: “Tomara que nossos respectivos amores durmam cedo esta noite”)
       (Lê-se: ” Amor, se você estiver lendo – e eu sei que você vai ler – lembre que eu te amo pra caralho, viu?!).

Bem. Se tem um lado bom em uma cidade que não valoriza a produção cultural dela mesma é que cada inferninho de Salvador cobra pouquinho pela entrada e quase nada pela cerveja. Bem. Se tem um lado ruim em uma cidade nas mesmas condições citadas anteriormente é que cada inferninho oferece pouco de coisa bacana e quase nada de gente bacana.

     – Sem polêmicas. Para quem faz um bom trabalho, lembre-se: Who the cap, fit, let them wear it.

Decidimos, então, por três opções: Boomerangue, Boomerangue ou Boomerangue.

Mas, a Boomerangue fechou e um buraco abriu sobre os pés dos soteropolitanos. Se bem que, pensando melhor, lá o esquema sempre dava em uma coisa:

Noite da Música Brasileira – Terminava em festa GLS

Noite Pseudo Indie – Terminava em festa GLS

Noite Rock – Terminava em festa Emocore, ou seja, festa GLS

Ainda assim, a Boomerangue foi uma inegável plataforma de suporte a novos artistas e trabalhos musicais de qualidade . Retrofoguetes, Orkestra Rumpilezz e excelentes Djs tiveram espaço garantido por lá. Uma pena – Pausa para minha homenagem.

     – E agora, velho?

     -Vamos estacionar e só ver como é que estão as coisas.

Foram tantos passos que conseguimos completar a lista de 7 lugares em menos de 50 minutos – o que não é nada se considerarmos que só de portinhas cheias de gente são mais de 20 nos arredores de Dinha.

O roteiro foi:   

  1. Água Doce – Cachaçaria
    …e comidas típicas nordestinas – Isso segundo o cardápio, que não me explicou de que lugar do nordeste era o pastel 4 queijos, o sorvete de chocolate e o drink Morango com Champagne.
  2. Ali do Lado – Bar, Música ao vivo
     … e “um Djzinho tocando para uma gente legal” – Palavras do segurança do local, que por sinal, não é mais do lado que era.
  3. Tarrafa – Botequim e Galeria
    …Quando entrei não sabia se era Rap ou Reggae, aí descobri que era Ragga, e da melhor qualidade. Roleta Russa rolando a torto e a direito – Tô com a marca do carimbo de saída do local no braço até agora – mas deve ser mais sustentável que as pulseirinhas de papel, vou descobrir no EcoD (um beijo pro pessoal ecotudodebom!).
  4. Padaria – Bar e Restaurante
    …De padaria só tem o nome. “Nunca vi um sanduiche custar 20 reais em uma padaria” – Reclamou o amigo do meu amigo.
  5. Borracharia – Danceteria
    …Com o start dado à meia noite, o local é pra dançar mesmo – não queira sentar, até porque não tem cadeira. Mas, quem não curte uma boa seleção musical rolando até cedo da matina?
  6. Pirâmide do Rio Vermelho – Complexo Gastronômico e Cultural
    …O complexo é mesmo complexo. A arquitetura é faraônica, é café, livraria e palco de show, e tem um nome pomposo, mas a galera está se esforçando para trazer um público jovem para o local. Notório e valoroso.
  7. Largo que é de Santanna mas que desde que eu me entendo por gente é de Dinha (1,2,3 – Fight)
    …Preciso comentar? Só posso dizer que entre segunda-feira a noite e domingo meia noite alguém sempre me liga com uma pergunta: “E aí, bó padinha?”. E quase sempre eu respondo: “Rapaz, eu já tô indinha”.

Só te digo uma coisa: Êeeea!

Anúncios

Read Full Post »

Cena da sensível peça Rosário - Deveria ser uma redundância mas sabemos que nem sempre é assim / Foto: Divulgação

Ar, terra, fogo e água.

Moldando os quatro elementos da natureza à sua beleza a atriz e intérprete musical (porquê não?!) Felícia de Castro”mostura” em uma cabaça – lê-se cabeça – o que há de mulher-realidade e mulher-pensamento nesse mundão chamado sertão.

Junte isso a uma boa mão de sal, açúcar e símbolos sagrados e pronto. Estava a minha frente o Terço rogado pela atriz. Em seu espetáculoso espetáculo chamado Rosário, sem o perdão da redundância ou da rima, é inevitável sentir o cheiro do barro “relado” naquele vento seco, com cheiro de bicho e de gente.

Primeiro. É interessante. Me causou certa revelia de início, talvez curiosidade de ver onde ia dar aquilo que me parecia familiar e rico. Fiquei cabreira.

Segundo. É instigante. Diferentes sentidos foram apurados, inclusive o sexto, que pôde observar a presença de divindades rodopiando pelo pequeno teatro de arena. Serenas e dançadeiras.

Terceiro. É bonito. Tudo bem apresentado. Rendas e bordados bem bordados, bacia tinindo e estrelas no cabelo quando agraciado pela água.

Mesmo sendo um monólogo não monótono, havia muita gente em cena. Enxerga-se em cena uma senhora enrugada de tempo dançando no chão de barro batido. Enxerga-se na arena a mulher vigorosa que tira de si a energia do peito e troca com a energia do homem a sua frente. Enxerga-se em palco a criança que entoa a cantiga e bate palma no compasso, na cadência, mesmo sem saber o que isso de fato significa.

A trilha é invejável. Eu quase me vi sambando ali, no meio da areia espalhada delicadamente pelo chão – isso me desconcentrou por minutos. Imaginei a delícia que não foi a concepção daquele trabalho: ver toda aquela música, derramada por gerações, solta no vento. Ir apanhando, com cuidado, cada nota, palavra, simbologia e alinhavar aquilo em uma hora e pouca de apresentação.

Na plateia, mulher de um lado, mulher do outro, mulher em cima, mulher embaixo. Homens contados no dedo – o que, ao meu ver, está trocado: mas vale um homem conhecendo o que de mulher as mulheres têm do que 30 mil mulheres se enxergando, parece-me menos útil, mas ainda assim é lindo e lisonjeiro.

É samba puro. É mulher pura.

Negra?

É mulher pura.

Amarela, azul, branca.
Dentro, somos todas vermelhas, e foi assim que eu também me vi ali. Vermelha em cena.
Que nem a rosa – que me custou outros minutos e me ganhou ao dar o ar da graça.

Bonito. Estudado. Rico. Popular. Delicado.

Uma verdadeira renda tecida a mão.

Read Full Post »

Fazendo misturas agridoces

Este post foi escrito há um tempo, mas o que vale é a intenção (?!) / Foto: Divulgação

Lançando em Salvador o seu novo álbum, a banda pernambucana Mombojó me ganhou.

                “Sim, Priscila e… eu com isso?”

E você nada, mas que eu estou encantada com o novo álbum, ah, isso eu tô!

Palavras palpáveis, que chegam a despertar o olfato e o paladar, ilustram as músicas simples e delicadas, que parecem saídas de um passeio pela cidade ou de uma tarde na praia com os amigos. Esse CD conseguiu dar nota a uma caminhada no parque, quantificar, em compassos, a sensação de se colocar dentro do vento em pleno caos do cotidiano.

Esse CD é gostoso.

A minha primeira vez com o Mombojó foi lá em meados de 2007. A música Faaca me tocou. Não no sentindo de “dançar em cima de uma faca molhada de sangue”, mas por sua intenção de chegar, de encostar, de tocar em uma pessoa com a sutileza de um cinismo.

Depois desse dia, passei exatos 3 anos ouvindo o mesmo CD do grupo. Simplesmente não mudei. Fiquei – e não saí.  E isso é uma coisa que me chama atenção, até Yann Tiersen conseguiu escapar da minha síndrome de um álbum só, não entendo porque isso aconteceu com o groove pernambucano do Mombojó.

Rimou.

– a comparação pode parecer esdrúxula mas tem sentindo na minha cabeça.

Até que surgiu o Entre a União e a Saudade em meu caminho. A música, que está no novo CD Amigo do Tempo do conjunto, me jogou de cara em um céu de estrela.

Lisergia? Pode ser, mas quem disse que lisergia careta não é gostosão? – Eu aprovo!

Delícia, gente, delícia.

Vale acrescentar ao playlist Casa Caiada, Amigo do Tempo, Aumenta o Volume e um, já clássico em minha opinião, Papapa.

Papapá parará !

Bom. Eu gostei. Não fui ao show, mas serviu para me dar conta da minha síndrome. No mais, fica a dica.

Por Priscila Letieres

Read Full Post »