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Festejos populares: para começar 2014 com aquele gás. Foto: Bahiatursa

Festejos populares: para começar 2014 com aquele gás. Foto: Bahiatursa

Com seus finais de tarde cheirosos, céus caprichados e o clima que só ele traz, o verão chegou à Salvador. Para curtir a estação, confira algumas especias festas populares que começam a partir de HOJE na capital baiana:

  • 25 de novembro
    Dia da Baiana
    Local: Salvador – Pelourinho
  • 2 de dezembro
    Dia do Samba
    Local: Salvador – Centro Histórico
  • 4 de dezembro
    Festa de Santa Bárbara
    Local: Salvador – Centro Histórico
  • 8 de dezembro
    Festa da Conceição
    Local: Salvador – Comércio
  • 13 de dezembro
    Festa de Santa Luzia
    Local: Salvador – Igreja do Pilar
  • 1º de janeiro
    Procissão Nosso Senhor dos Navegantes
    Local: Salvador – Baía de Todos-os-Santos
  • 3 a 6 de janeiro
    Festa da Lapinha – Apresentações de Ternos de Reis e Missa na Igreja
    Local: Salvador – Largo da Lapinha
  • 14 de janeiro*
    Festa da Ribeira
    Local: Salvador – Bairro da Ribeira
  • 16 de janeiro
    Lavagem do Bonfim
    Local: Salvador – Conceição da Praia ao Largo do Bonfim
  • 26 a 29 de janeiro
    Festa de São Lázaro
    Local: Salvador – Federação
  • 2 de fevereiro
    Festa de Yemanjá
    Local: Salvador – Rio Vermelho
  • 20 de fevereiro
    Lavagem de Itapuã
    Local: Salvador
  • 27 de fevereiro a 4 de março
    Carnaval

 

Fonte: Bahiatursa

No ar: O rádio de Yemanjá

Das convencionais flores às modernas TVs. Não importa a oferenda, importa o desapego e o compromisso. Foto: Danifeb

Aproximando-se da sagrada terra da Bahia, o dia 2 de fevereiro chega em ondas, despertando coisas diferentes em cada baiano, mostrando-se de diferentes formas.

Esta tarde fui tocada por uma história linda, envolvendo a Rainha do Mar e os seus fies, ou infies, louvadores.

Essa é uma história real. Aconteceu com a avó de um amigo meu.

Mesmo católica fervorosa, Dona Benedita sempre levou em conta as crendices de sua família – e da terra que a pariu – nos santos sagrados do Candomblé. Frequentadora assídua da igreja, não se deixava corromper por demais cultos, porém, os orixás, em especial, tinham um certo aconchego no coração carola daquela senhora.

Vésperas do novo ano, Dona Benedita viu-se frente a oportunidade de uma nova promessa. Decidiu, então, ofertar a Rainha das Águas nada mais, nada menos, que uma televisão em troca do seu “desejo”.

Deve ter sido uma coisa muito importante, para combinar com uma oferenda “de peso” como aquela.

E não é que Yemanjá fiou balançada com a possibilidade de ter uma TV novinha lá nas profundezas da minha amada Baía de Todos os Santos ? Deve ter mesmo muito santo para dividir um controle remoto só porque, como de certo, ela cumpriu com a sua parte no “trato”.

Agora, vocês devem pensar o que eu pensei quando chegou neste momento da história – narrada por um amigo, o neto de Dona Benedita:

– E aí, Pedro, ela jogou ou não jogou a TV?

A pergunta, para mim, foi retórica, porque eu, sendo ela, tinha jogado. Mas não é que Dona Benedita pensou diferente:

“- De TV para rádio tem muita diferença? Acho que não, né?! Melhor jogar só um radinho…”

Bem, eu discordo. Tem uma leve diferença sim. E, pelo visto, a Rainha do Mar concordava comigo.

Depois que Dona Benedita jogou o rádio no mar da praia vizinha a sua casa, não é que, alguns dias depois, ele veio aparecer na porta da casa da dona do bendito nome?

Cientistas e físicos poderiam explicar que “o movimento das marés”, “as luas”, “os ventos” e “outras coisas” fizeram isso acontecer. Para quem crê, isso foi exatamente o que aconteceu e só.

Quem é do dendê, quem não é. Quem é católico, quem não é.  Fato é: Yemanjá é a única deusa do culto afrobaiano do Candomblé que tem uma festa em Salvador só para ela, cunhada sob o seu próprio nome e visitada por todo o mundo.

Ou seja, Dona Benedita sentiu-se estimulada a “reconsiderar” a sua oferenda e, desta vez, lá foi , rumo ao mar, entregar às águas uma linda TV – sem mendigarias.

Blupt, blupt, blupt – Afundou a televisão de não-sei-quantas polegadas.

Esse causo me fez lembrar a flor “improvisada” que ofertei na virada de ano.
É… não tem barganha.
Amanhã, dia 2 de fevereiro, lá vou eu com um buquê lindo de flores.

Pode parecer pouco perto da grandeza da Mãe do Mar. Mas não é não, e olhe que eu nem sou candomblessita ou algo do genêro. Mas sou baiana, soteropolitana, e não sei porque, sinto que  sou “perto dela”.

Atabaques da Orkestra Rumpilezz / Foto: Mariele Góes

O projeto musical Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz venceu a sexta edição do Prêmio Bravo!, levando para casa o trofeu de Melhor CD Popular do Ano!

Indicado há um mês pela revista de multi expressão Bravo!, o álbum de estreia da Orkestra, que mistura percussão de raíz com o jazz contemporâneo mundial, já recebeu críticas de grandes mídias nacionais e internacionais e apresenta ao grande público uma homenagem ao Universo Percussivo Baiano.O Prêmio Bravo!

A noite de premiação, que aconteceu na capital paulista na última segunda-feira, 25 de outubro, foi uma homenagem a Noel Rosa e premiou grandes nomes de diferentes expressões artísticas brasileiras, como dança, cinema, teatro e música.

Entre os jurados da premiação, compuseram a mesa da categoria Música Popular o compositor Sergio Molina, também professor na FASM, Lúcio Ribeiro, jornalista de cultura pop e colunista do Estado de São Paulo e José Flávio Júnior, jornalista, radialista e curador que atua desde 2005 como crítico de música popular da revista BRAVO!.

O prêmio foi entregue pelas mãos da cantora paulista Mariana Aydar.

O mar está para peixe!Em agosto deste ano, a Orkestra Rumpilezz também foi contemplada com dois trofeus no Prêmio da Música Brasileira, onde foi a responsável pela abertura da noite e recebeu os prêmios de Melhor Grupo Instrumental e Revelação do Ano. 

Em tempo:  A Orkestra Rumpilezz irá apresentar um concerto com o repertório do seu CD no dia 07 de novembro às 11h, no parque da cidade, em Salvador. Parte do projeto Domingo no Parque, o concerto da Orkestra já está na agenda de muitos baianos desde outubro e será um verdadeiro espetáculo sonoro.  A entrada é gratuita. 

Na noite da comemoração, os atabaques da Orkestra levaram para o Rio de Janeiro toda a sua simbologia e arranjamentos inspirados nas claves e desenhos ritmicos da percussão baiana.

Para saber mais sobre a Orkestra, visite o site www.rumpilezz.com ou escute as músicas em sua página no myspace.

Rio Vermelho de 1 a 7

Local da saudosa Festa de Yemanjá, o Red River guarda mais segredos, e botequinhos, do que podemos imaginar / Foto: Tiago Munch

Sábado a noite tudo pode mudar. Isso, Coisinha, começa logo com uma música ruim ou um clichê – ou, no caso, os dois juntos – para espantar metade dos possíveis leitores – que fiquem apenas os bons ou, no caso, os pacientes.

Mas, clichê, música ruim ou ditado popular, fato que esta bendita frase é verdade.

No último dia 11 de setembro foi aniversário de um grande amigo e data do espetaculoso atentado as Torres Gêmeas norte americanas. É, uma mistureba de acontecimentos tão grande que resultou até em Michelle Obama fezendo um minuto de silêncio em homenagem ao meu amigo – só para contextualizar.

Naquela noite, lá fui eu e mais uma amiga, levando cada uma um pote de musse de morango com uma estrelinha de São João para cantarmos o parabéns, rumo ao bairro queridinho de todos: o Red River – para os íntimos.

Desaguamos na cachaçaria Água Doce – ponto inicial do que seria a nossa rápida e estranha turnê pela noite do Rio Vermelho. De fusão de mega empresas e dumping na bolsa de ações até os estranhos nomes de esmaltes Deixa Beijar e Rebu, tome-lhe assunto.

Conversa vai, conversa vem. Cachaça vai, cachaça vem.  Enfim, chegou a hora de encerramos a boa prosa e i irmos para casa.

Ou melhor, irmos para o meio do caminho de casa.

     – E aí, é pra casa mesmo?! – Perguntou para nós o carro.

     – Bem, eu tô de boa. A gente podia só ver o movimento, né?! Do carro mesmo. São 1h da manhã, tá cedo. – Respondemos.
       (Lê-se: “Tomara que nossos respectivos amores durmam cedo esta noite”)
       (Lê-se: ” Amor, se você estiver lendo – e eu sei que você vai ler – lembre que eu te amo pra caralho, viu?!).

Bem. Se tem um lado bom em uma cidade que não valoriza a produção cultural dela mesma é que cada inferninho de Salvador cobra pouquinho pela entrada e quase nada pela cerveja. Bem. Se tem um lado ruim em uma cidade nas mesmas condições citadas anteriormente é que cada inferninho oferece pouco de coisa bacana e quase nada de gente bacana.

     – Sem polêmicas. Para quem faz um bom trabalho, lembre-se: Who the cap, fit, let them wear it.

Decidimos, então, por três opções: Boomerangue, Boomerangue ou Boomerangue.

Mas, a Boomerangue fechou e um buraco abriu sobre os pés dos soteropolitanos. Se bem que, pensando melhor, lá o esquema sempre dava em uma coisa:

Noite da Música Brasileira – Terminava em festa GLS

Noite Pseudo Indie – Terminava em festa GLS

Noite Rock – Terminava em festa Emocore, ou seja, festa GLS

Ainda assim, a Boomerangue foi uma inegável plataforma de suporte a novos artistas e trabalhos musicais de qualidade . Retrofoguetes, Orkestra Rumpilezz e excelentes Djs tiveram espaço garantido por lá. Uma pena – Pausa para minha homenagem.

     – E agora, velho?

     -Vamos estacionar e só ver como é que estão as coisas.

Foram tantos passos que conseguimos completar a lista de 7 lugares em menos de 50 minutos – o que não é nada se considerarmos que só de portinhas cheias de gente são mais de 20 nos arredores de Dinha.

O roteiro foi:   

  1. Água Doce – Cachaçaria
    …e comidas típicas nordestinas – Isso segundo o cardápio, que não me explicou de que lugar do nordeste era o pastel 4 queijos, o sorvete de chocolate e o drink Morango com Champagne.
  2. Ali do Lado – Bar, Música ao vivo
     … e “um Djzinho tocando para uma gente legal” – Palavras do segurança do local, que por sinal, não é mais do lado que era.
  3. Tarrafa – Botequim e Galeria
    …Quando entrei não sabia se era Rap ou Reggae, aí descobri que era Ragga, e da melhor qualidade. Roleta Russa rolando a torto e a direito – Tô com a marca do carimbo de saída do local no braço até agora – mas deve ser mais sustentável que as pulseirinhas de papel, vou descobrir no EcoD (um beijo pro pessoal ecotudodebom!).
  4. Padaria – Bar e Restaurante
    …De padaria só tem o nome. “Nunca vi um sanduiche custar 20 reais em uma padaria” – Reclamou o amigo do meu amigo.
  5. Borracharia – Danceteria
    …Com o start dado à meia noite, o local é pra dançar mesmo – não queira sentar, até porque não tem cadeira. Mas, quem não curte uma boa seleção musical rolando até cedo da matina?
  6. Pirâmide do Rio Vermelho – Complexo Gastronômico e Cultural
    …O complexo é mesmo complexo. A arquitetura é faraônica, é café, livraria e palco de show, e tem um nome pomposo, mas a galera está se esforçando para trazer um público jovem para o local. Notório e valoroso.
  7. Largo que é de Santanna mas que desde que eu me entendo por gente é de Dinha (1,2,3 – Fight)
    …Preciso comentar? Só posso dizer que entre segunda-feira a noite e domingo meia noite alguém sempre me liga com uma pergunta: “E aí, bó padinha?”. E quase sempre eu respondo: “Rapaz, eu já tô indinha”.

Só te digo uma coisa: Êeeea!

Cena da sensível peça Rosário - Deveria ser uma redundância mas sabemos que nem sempre é assim / Foto: Divulgação

Ar, terra, fogo e água.

Moldando os quatro elementos da natureza à sua beleza a atriz e intérprete musical (porquê não?!) Felícia de Castro”mostura” em uma cabaça – lê-se cabeça – o que há de mulher-realidade e mulher-pensamento nesse mundão chamado sertão.

Junte isso a uma boa mão de sal, açúcar e símbolos sagrados e pronto. Estava a minha frente o Terço rogado pela atriz. Em seu espetáculoso espetáculo chamado Rosário, sem o perdão da redundância ou da rima, é inevitável sentir o cheiro do barro “relado” naquele vento seco, com cheiro de bicho e de gente.

Primeiro. É interessante. Me causou certa revelia de início, talvez curiosidade de ver onde ia dar aquilo que me parecia familiar e rico. Fiquei cabreira.

Segundo. É instigante. Diferentes sentidos foram apurados, inclusive o sexto, que pôde observar a presença de divindades rodopiando pelo pequeno teatro de arena. Serenas e dançadeiras.

Terceiro. É bonito. Tudo bem apresentado. Rendas e bordados bem bordados, bacia tinindo e estrelas no cabelo quando agraciado pela água.

Mesmo sendo um monólogo não monótono, havia muita gente em cena. Enxerga-se em cena uma senhora enrugada de tempo dançando no chão de barro batido. Enxerga-se na arena a mulher vigorosa que tira de si a energia do peito e troca com a energia do homem a sua frente. Enxerga-se em palco a criança que entoa a cantiga e bate palma no compasso, na cadência, mesmo sem saber o que isso de fato significa.

A trilha é invejável. Eu quase me vi sambando ali, no meio da areia espalhada delicadamente pelo chão – isso me desconcentrou por minutos. Imaginei a delícia que não foi a concepção daquele trabalho: ver toda aquela música, derramada por gerações, solta no vento. Ir apanhando, com cuidado, cada nota, palavra, simbologia e alinhavar aquilo em uma hora e pouca de apresentação.

Na plateia, mulher de um lado, mulher do outro, mulher em cima, mulher embaixo. Homens contados no dedo – o que, ao meu ver, está trocado: mas vale um homem conhecendo o que de mulher as mulheres têm do que 30 mil mulheres se enxergando, parece-me menos útil, mas ainda assim é lindo e lisonjeiro.

É samba puro. É mulher pura.

Negra?

É mulher pura.

Amarela, azul, branca.
Dentro, somos todas vermelhas, e foi assim que eu também me vi ali. Vermelha em cena.
Que nem a rosa – que me custou outros minutos e me ganhou ao dar o ar da graça.

Bonito. Estudado. Rico. Popular. Delicado.

Uma verdadeira renda tecida a mão.

Fazendo misturas agridoces

Este post foi escrito há um tempo, mas o que vale é a intenção (?!) / Foto: Divulgação

Lançando em Salvador o seu novo álbum, a banda pernambucana Mombojó me ganhou.

                “Sim, Priscila e… eu com isso?”

E você nada, mas que eu estou encantada com o novo álbum, ah, isso eu tô!

Palavras palpáveis, que chegam a despertar o olfato e o paladar, ilustram as músicas simples e delicadas, que parecem saídas de um passeio pela cidade ou de uma tarde na praia com os amigos. Esse CD conseguiu dar nota a uma caminhada no parque, quantificar, em compassos, a sensação de se colocar dentro do vento em pleno caos do cotidiano.

Esse CD é gostoso.

A minha primeira vez com o Mombojó foi lá em meados de 2007. A música Faaca me tocou. Não no sentindo de “dançar em cima de uma faca molhada de sangue”, mas por sua intenção de chegar, de encostar, de tocar em uma pessoa com a sutileza de um cinismo.

Depois desse dia, passei exatos 3 anos ouvindo o mesmo CD do grupo. Simplesmente não mudei. Fiquei – e não saí.  E isso é uma coisa que me chama atenção, até Yann Tiersen conseguiu escapar da minha síndrome de um álbum só, não entendo porque isso aconteceu com o groove pernambucano do Mombojó.

Rimou.

– a comparação pode parecer esdrúxula mas tem sentindo na minha cabeça.

Até que surgiu o Entre a União e a Saudade em meu caminho. A música, que está no novo CD Amigo do Tempo do conjunto, me jogou de cara em um céu de estrela.

Lisergia? Pode ser, mas quem disse que lisergia careta não é gostosão? – Eu aprovo!

Delícia, gente, delícia.

Vale acrescentar ao playlist Casa Caiada, Amigo do Tempo, Aumenta o Volume e um, já clássico em minha opinião, Papapa.

Papapá parará !

Bom. Eu gostei. Não fui ao show, mas serviu para me dar conta da minha síndrome. No mais, fica a dica.

Por Priscila Letieres

Pedi prá para, PAROU!

Galera,

Vamos dar uma parada estratégica e voltamos em breve!

Em setembro nos revemos!

Aquele Abraço!